terça-feira, novembro 21, 2017

Brasil: ainda há esperança

Depois do que está acontecendo no Rio é natural que se pergunte: ainda há esperança? Entre envergonhados e indignados, a resposta é não! O Rio de Janeiro, com o Poder Legislativo que tem e com os governos do PMDB que por lá passaram, apodreceu! Que os responsáveis pela bandalheira que tomou conta do Rio paguem pelo que fizeram. É o mínimo que se espera.

O Rio, por tudo que representa para nós brasileiros, vai sair dessa para melhor quanto antes. Mesmo com sua imagem arranhada, sua exuberante beleza natural - continua sendo nossa principal referência  turística. Quanto ao Brasil, sair desse caos também é uma possibilidade real. A vantagem de se chegar no  fundo do poço é que qualquer sopro de uma boa nova faz renascer a esperança.

Essa situação quase surreal que vivenciamos, está em todos os lugares - basta observar. No sábado passado, por exemplo, num mesmo jornal e no mesmo caderno,  nos deparamos com o sofrimento   das vitimas da tragédia de Mariana e na página ao lado - um fio de esperança: o artigo de  Drauzio Varella sobre o SUS.(FSP 18/11)

Drauzio Varella, médico e colunista, ao discursar nos 50 anos de sua formatura fez questão de referenciar o SUS: "a criação do SUS foi a maior revolução da história da medicina brasileira."  E com a legitimidade que tem, Drauzio, com 74 anos, voltou a ocupar a tribuna da Faculdade de Medicina da USP, não mais como orador da turma mas como um exemplo de brasileiro. Respeitado por seu trabalho no mundo todo, doutor Drauzio ressaltou o papel do SUS que muitos desconhecem: "No curto espaço de 30 anos implementamos o maior programa gratuito de vacinações, de transplantes de órgãos e de tratamento do HIV do mundo inteiro".

Sem esconder todas as deficiências do SUS, desorganização, uso político, corrupção e demais desmandos, Drauzio diante seus colegas de turma relembra: "As cenas de bebês morrendo de desidratação, um atrás do outro, nos plantões do ponto socorro de pediatria, que tanto nos revoltavam, não acontecem mais. A mortalidade infantil era de 73 para cada mil nascimentos. No ano passado, foi de 14."

Depois de ler e reler o artigo de Drauzio Varella sobre o SUS, dá para entender melhor a relevância do seu papel num pais continental como o nosso. Levar o atendimento a saúde, através de um sistema único,  a milhões de brasileiros é sim - uma revolução. O SUS é uma conquista definitiva, aberta aos novos desafios que virão de uma medicina cada vez mais inovadora. Em breve volto a comentar o artigo do doutor Drauzio, já que trouxe um sopro de esperança.    

segunda-feira, novembro 20, 2017

Temer e a reforma da Previdência

Na última sexta-feira, o governo Temer lançou uma campanha publicitária para defender a reforma da Previdência. Além de cara, cerca de R$ 20 milhões, enganosa. A prova está no próprio foco da campanha: "atacar os privilégios". De imediato a pergunta a ser feita: é quem vai  acabar com os privilégios?   O motivo para atacar os privilégios, segundo a campanha que já entrou na sua  casa, é que: "tem muita gente no Brasil que trabalha pouco, ganha muito e se aposenta cedo". Novamente, a pergunta que  cabe: é quem são essas pessoas? O governo sabe quem são e convive com elas. Elas estão onde sempre estiveram: no judiciário, no executivo e no legislativo.

Portanto, preparam-se: a reforma em curso vai sobrar para os de sempre. O assunto "previdência" exige conhecimento atuarial, percepção de futuro, luz própria e muita sensibilidade. Confesso que não vejo essas qualidades em boa parte dos nossos congressistas. Sem falar que muitos deles se enquadram na categoria dos privilegiados. E serão eles que vão deliberar sobre a reforma.

Se não bastasse essa cumplicidade, para atenuar as desconfianças do mercado o governo tirou da cartola, pasmem: aumentar o tempo de contribuição. Agora, o "felizardo", para receber a aposentadoria integral teria que contribuir para o regime previdenciário por 44 anos. Ou seja, associando isso as novas regras trabalhistas, como emprego intermitente, contratos individuais, redução de direitos, o trabalhador brasileiro normal - morre antes de se aposentar!

Desculpem pela franqueza, mas é isso mesmo. A outra situação que pode acontecer é o trabalhador fazer as contas e sair fora. Não optar pelo regime previdenciário público. Ou então migrar para uma previdência privada e o fundo  falir, o que aliás não é novidade. Nos dois casos, vai estar velho e sem amparo. Visualizo essa situação como uma tendência, que no futuro pode ocorrer em larga escala. Entre os jovens, a previdência não é prioridade. Ainda mais quando souberem que precisam contribuir por 44 anos. Ao se afastarem do sistema único, mais vulnerável fica a Previdência como um todo. O atual sistema único, de responsabilidade do Estado, sem a entrada de novos contribuintes não se sustenta. Ele foi idealizado como um regime de entrada de contribuições versus saída de benefícios. Ao ser quebrada essa lógica, não há reforma que dê jeito. 

Só que sobre isso, ninguém fala. Falta responsabilidade, transparência e conteúdo nessa discussão. Não é tarefa para uma campanha de marketing, como a que Temer lançou na semana passada.

sexta-feira, novembro 17, 2017

Iniciativas do bem

Pesquei na coluna do Rafael Martini (DC 15/11), a foto  acima. Espero que o Rafael não se importe. Diante da carência de boas iniciativas, nesse país sem rumo, toda a vez que um grupo se mobiliza para praticar o bem: vale a pena registrar.

Segundo Rafael, um grupo de 200 voluntários e mergulhadores profissionais se uniram para dar uma geral na bela Baía dos Golfinhos, em Governador Celso Ramos. O "mutirão" coletou do fundo mar, das praias e dos costões - 12 toneladas de lixo. O meio  ambiente agradece e a turma que gosta de sujar que se conscientize. Preservar e respeitar a natureza só faz bem.

PS - A quantidade de plástico nos oceanos é algo assustador. As correntezas chegam a formar verdadeiras ilhas de lixo. Uma recente pesquisa identificou material plástico presente em peixes que só são encontrados nas grandes profundezas dos oceanos.  

quinta-feira, novembro 16, 2017

Florianópolis, a capital da energia solar


Depois de mais uma edição do SUSTENTAR, na Assembleia Legislativa, já comentado no blog, se alguém ainda tinha dúvida de que a energia solar fotovoltaica é a bola da vez, a foto acima fala por si. Na última segunda-feira, no auditório da Celesc, a Quantum Engenharia promoveu o seminário A Energia Fotovoltaica ao seu Alcance. Só em novembro, em Florianópolis, o Instituto IDEAL vai estar participando diretamente (como organizador ou palestrante) de quatro eventos como esse. Não conheço nenhuma outra atividade na cidade que tenha despertado tanto interesse.

O seminário contou na abertura com presença dos presidentes da Celesc e da Quantum, Cleverson Siewert e Gilberto Vieira, respectivamente , seguido de 11 palestrantes. Coube ao Instituto IDEAL apresentar o Estudo do Mercado Brasileiro de Geração Distribuída Fotovoltaica, desenvolvido pelo IDEAL em parceria com a AHK/RJ. Reconhecido e apoiado pela própria ANEEL.

Outros temas que atraíram a atenção dos participantes, foram:

- A palestra do presidente da ABRADEE, Nelson Fonseca Leite, sobre o Panorama da Energia Fotovoltaica no Sistema de Distribuição de Energia;
- A palestra de Harry Neto, da ABSOLAR e da WEG, sobre Oportunidades e Desafios;
- A palestra de Eliane Lobato Peixoto Borges, do SEBRAE Nacional, sobre Modelos de Negócio;
- A palestra do presidente da FETAESC, José Dresch, sobre a Energia Solar no Meio Rural.

O terceiro importante evento do mês de novembro, uma parceria da FIESC com o Instituto IDEAL, acontece na próxima terça-feira, dia 21, às 14 horas na sede da FIESC, em Florianópolis. A entrada é franca. Na pauta: energia solar e cooperativismo; energia solar numa vinícola - o case Guatambu - em Don Pedrito, no Rio Grande do Sul .

Por último, mas ainda em novembro, o Instituto IDEAL entrega formalmente o relatório final dos seis seminários que realizou durante a implantação do Projeto Bônus Fotovoltaico da Celesc. Trata-se de um projeto de eficiência energética que contemplou a instalação de 1000 telhados solares em seis diferentes regiões do estado
.
PS- Como se vê, não há exagero em afirmar: Florianópolis, a capital da energia solar.   


terça-feira, novembro 14, 2017

Vale a pena fazer a politica do bem

Enquanto na quinta-feira, dia 9, em Brasília, tucanos da mais alta plumagem se bicavam mostrando o que realmente são, em Florianópolis, na Assembleia Legislativa, acontecia mais uma edição do já consolidado fórum de debates que trata de sustentabilidade, mobilidade urbana e as cidades do futuro. O Instituto IDEAL tem apoiado o Sustentar desde a sua criação. Em razão disso, o professor Ricardo Rüther (Grupo Fotovoltaica-UFSC/IDEAL) e eu fomos homenageados pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina.


O motivo da homenagem está associado a uma trajetória de vida e de compromissos com uma matriz energética mais limpa para o Brasil e para os países latinos em geral. Como o blog DE OLHO NO FUTURO é um lugar  onde registro acontecimentos, compartilho preocupações e divulgo minhas ideias: segue abaixo, como registro, um breve do  histórico da trajetória que justificou a MOÇÂO DE APLAUSO que me foi concedida.

SUSTENTAR 2017 Homenagem ao presidente do IDEAL, Mauro Passos

O engenheiro Mauro Passos nasceu em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. No momento, seu maior compromisso é a busca de uma matriz energética mais limpa e renovável para o Brasil e para toda a América Latina e Caribe. 

Presidente do Instituto IDEAL, Mauro foi eleito duas vezes vereador por Florianópolis, em 1996 e no ano 2000. Suas votações históricas o levaram também à Câmara Federal, em Brasília, em 2002. Lá, participou das comissões de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Minas e Energia. Foi o criador e presidiu a Frente Parlamentar em Defesa das Energias Renováveis. Também foi membro do Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, e participou do Conselho de Altos Estudos do Congresso Nacional.

Engenheiro mecânico graduado e especialista em recursos naturais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mauro Passos foi o primeiro representante da América Latina no Conselho Mundial de Energias Renováveis (WCRE), com sede em Bonn, na Alemanha. Trabalhou no Ministério de Minas e Energia e depois seguiu carreira na Eletrosul/Eletrobras, na área de planejamento, de 1973 até 2003. Tem ainda especial destaque sua atuação como sindicalista, por 15 anos à frente do Sinergia, o Sindicato dos Eletricitários.

 
Ao afastar-se da disputa política, Mauro cria, em 2007, o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Instituto IDEAL). Há dez anos, coordena as atividades da organização privada sem fins lucrativos, com sede em Florianópolis. Ao promover eventos, realizar estudos e ações de fomento às energias renováveis, o Instituto se fortalece como um elo entre o meio acadêmico e empresarial, além de ter se tornado uma referência do setor energético no país. 


O engenheiro, que desde muito cedo expandiu as fronteiras de seus conhecimentos, após concluir sua especialização no Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Univeridade Federal do Rio Grande do Sul, realizou uma especialização em Hidrologia Aplicada, em 1975, no United States Geological Survey.


Em 1984, cursou outra pós-graduação em planejamento energético, desta vez na COPPE, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Há dois anos, Mauro realizou mais uma pós-graduação, agora em planejamento estratégico, na Universidade de Belgrano, na Argentina. No desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso, seu desafio foi envolver os colegas na problemática global das mudanças climáticas, tanto que o projeto realizado se chama ‘América sem Carbono’, uma ideia a não se perder de vista.

sábado, novembro 11, 2017

Mudanças climáticas e a revolta do mar


A revolta do mar pode ser uma resposta à ocupação urbana desordenada e ao aquecimento global: uma típica reação da natureza ameaçada pelo mão do homem. O que mais surpreende é a indiferença das autoridades, não se ouve nada que nos anime e que demonstre preocupação com as consequências das mudanças climática. Em Bonn, na Alemanha, está em andamento a COP 23 e aqui só se fala da politicagem pequena que tomou conta do nosso país sem rumo.

Muros de contenção, aterros e edificações foram levados pela força do mar. Praias bem conhecidas de Florianópolis como Canasvieiras, Jurerê, Ingleses, Mole, Armação e Matadeiro, por exemplo,  estão sem areia e a temporada se aproxima. O poder publico pleiteia verbas para encher de pedras as praias, como se fosse solução. Aliás já fizeram isso alguns anos atrás na Armação. O resultado está aí: o mar voltou à tomar seu lugar e as pedras continuam por lá. É muito improviso.

Atualizando o comentário: No domingo (12), fui no sul da ilha caminhar entre o Pântano do Sul e Açores. É onde costumo fazer minhas caminhadas. A praia é a escolhida, entre as 43 que temos aqui na Ilha, por ter pouca gente e uma larga extensão de areia. Olhem só onde está o posto do salva vidas, que fica quase em frente ao conhecido internacionalmente -  Bar do Arante. (foto abaixo).